Cavaleiro Andante

9.9.05

Povo Arco-Íris


Pois é, como quase tudo o que é ilha recôndita ou território exótico por esse mundo fora, também a Ilha da Reunião foi descoberta por portugueses, em 1513, a caminho de outras paragens, tendo sido então designada por Ilha de Borbon. Sem população autóctone, conta a lenda que o território foi povoado inicialmente por 14 degredados franceses e 3 mulheres africanas.

Seja como for, actualmente a população da ilha (776,948) é francesa, africana, malaia, indiana malabar e chinesa, resultando numa mistura ímpar de cores, raças e credos, que se auto-intitula, com orgulho, "povo arco-íris". A convivência é, a olho nu, salutar e a integração pacífica.

Mas... na página oficial de promoção da Reunião também se podem ler coisas como esta:

"Le 13 juin 1844, les 54 premiers chinois débarquèrent et sont couverts d’éloges. Plus robustes que les indiens, plus amis du travail et plus disciplinés que les nègres d’Afrique, l’esrit d’ordre et de régularité, le génie pratique qui convient aux affaires, dominent chez eux."
Cavaleiro Andante 11:00 da manhã | 10 comments |

8.9.05

La Fournaise


Quando chegamos à ilha da Reunião, informaram-nos, com alguma preocupação, que se estavam a sentir pequenos sismos devido ao facto do Piton de la Fournaise - vulcão com cerca de 400 mil anos e que, desde 1998, entra em erupção sensivelmente uma vez por ano - estar em actividade.

Eu disse logo à nossa interlocutora que nós estávamos habituados a sismos e a vulcões em stand-by, como forma de a descansar - e de me descansar a mim próprio, para ser sincero.

Depois ela mostrou-me umas fotografias do dito Piton de la Fournaise e eu entrei em pânico. Não senti qualquer sismo durante os três dias em que estive em Saint-Denis, mas fiquei deveras impressionado com a dimensão e a beleza trágica do fenómeno. Somos imensamente pequenos, passe o cliché.
Cavaleiro Andante 12:04 da tarde | 2 comments |

27.8.05

Canais Negros de Tortuguero

Um dos momentos mais impressionantes da nossa passagem pela Costa Rica. O passeio de barco pelos canais negros de Tortuguero. Água tingida de negro por acção das raízes de uma árvore, cujo nome desconheço. Rodeados por vegetação luxuriante e animais selvagens. No meio de um silêncio só cortado pelos sons das aves e pelo quase imperceptível deslizar do barco. Momento verdadeiramente mágico que recordo com prazer.

Canais de Tortuguero

Num Canal de Tortuguero

Nas margens de um dos canais de Tortuguero

Canais negros (água tingida por um tipo de raíz de árvore) de Tortuguero
Francisco 1:31 da tarde | 5 comments |

22.8.05

Da Costa Rica III

Tenho de destacar o elevado nível de educação do seu povo. Conforme nos disse um muito bem informado motorista de uma das carrinhas que nos transportaram, o governo da Costa Rica tem privilegiado o investimento na educação, garantindo a existência de escolas primárias (primeiros seis anos, sendo a escolaridade obrigatória de 11 anos) em todas as localidades onde existam, pelo menos, cinco crianças em idade escolar, deixando para segundo lugar outros tipos de obras públicas (estradas, por exemplo, como pudemos constatar pelo mau estado de muitas), por falta de recursos financeiros. Foi com evidente orgulho que o referido motorista nos falou como, desde criança, são sensibilizados para a preservação do seu património natural, para a correcta gestão dos resíduos, para os malefícios do tabaco. E cito esta questão do tabaco apenas porque, a este respeito, contou-nos ainda como o pai, fumador, nunca o fazia na frente dos filhos, ao ponto de só muito mais tarde ter sabido desse seu vício. Aliás, não me lembro de ter visto qualquer pessoa fumar na Costa Rica, para além de um dos nossos companheiros de viagem. E também não encontrei ninguém que não soubesse comunicar em inglês, mesmo aparentando um aspecto humilde. Mas o certo é que, fora estes aspectos mais culturais, os cidadãos da Costa Rica não têm um elevado nível de vida, auferindo, por exemplo, o nosso motorista cerca de 300 dólares americanos mensais quando um litro de leite para criança atinge cerca de 2 dólares, segundo também nos disse.

O Rapaz e o Escaravelho - Tortuguero
Francisco 4:09 da tarde | 5 comments |

21.8.05

Da Costa Rica II

Um dos momentos mais memoráveis da visita: a desova das tartarugas verdes em Tortuguero, a Terra das Tartarugas. Milhares de tartarugas, todas as noites, nesta altura do ano, saem do mar para desovar em covas que fazem na areia dos mais de vinte quilómetros de praia de Tortuguero. Para protecção da espécie, apenas são permitidas visitas guiadas, em grupos com um máximo de dez pessoas, entre as vinte e as vinte e quatro horas. Depois das cinco da manhã, já são possíveis visitas livres e a utilização de máquinas fotográficas, caso ainda se encontre alguma tartaruga mais atrasada. Foi o que fiz, embora apenas encontrando uma tartaruga já em fase de cobertura e disfarce do local da desova.

Tartaruga a cobrir os ovos com a areia I

Tartaruga a cobrir os ovos com a areia II

Tartaruga a iniciar o regresso ao mar depois da desova

Tartaruga a regressar ao  mar depois da desova I

Tartaruga a regressar ao mar depois da desova II

O rasto do regresso da tartaruga ao mar
Francisco 9:30 da manhã | 5 comments |

20.8.05

Da Costa Rica

Posso dizer que se excederam todas as minhas expectativas. País pouco procurado pelos portugueses, era sempre com espanto que as pessoas locais, incluindo as ligadas ao sector do turismo, recebiam a informação sobre a nossa nacionalidade. De facto, o turismo na Costa Rica vive sobretudo do mercado norte-americano e muito pouco do europeu. Mas creio que por pouco tempo, pois o destino Costa Rica irá, mais cedo ou mais tarde, também fazer as delícias dos amantes da natureza de todos os continentes, tão grandes, belos e valiosos são os seus ecossistemas (cerca de 4% do total mundial das espécies animais encontram-se na Costa Rica). Várias vezes, durante a minha estadia e perante a imensidão de verde -- pois é o verde da vegetação a cor predominante na Costa Rica -- pensei como os Açores, embora numa escala completamente diferente e com alguns conteúdos menos originais, também tem no seu âmago um enorme potencial de atracção do tipo de turismo que hoje procura a Costa Rica. E não falo só no verde mas também nas manifestações de vulcanismo, desenvolvidas ao máximo, quer através do aproveitamento, à semelhança da Islândia, das águas quentes para piscinas naturais, quer através da verdadeira romaria de turistas que, mesmo nesta época dita baixa, observa, de longe, o Arenal (um vulcão) a verter calmamente as suas lavas. Mas os aspectos comuns não ficam por aqui: pelo menos nesta época do ano, também dona chuva aparece e desaparece, provocando algumas alterações na programação das visitas que todos aceitam desportivamente como mais uma inevitabilidade benéfica da Natureza!

Verde da Costa Rica

Reflexos da Costa Rica

Um Gafanhoto

Tartaruga regressando ao mar depois da desova

Um Nascer de Sol na Costa Rica
Francisco 5:10 da tarde | 11 comments |

11.8.05

Tempo Perdido

É o inconveniente de se ir para certos destinos. O tempo perdido em aeroportos e deslocações. Venho carregado de livros e até do passatempo da moda que dá pelo nome de Su Doku. Saímos de Ponta Delgada depois do almoço de hoje e só devemos chegar a São José, na Costa Rica, depois das duas da manhã de sábado (hora dos Açores), isto se os horários forem cumpridos. E, depois, no regresso, a mesma coisa... Às vezes interrogo-me se vale a pena tanto sacrifício e se o melhor não seria ficar por mais perto e aproveitar melhor o tempo. Mas a verdade é que também há aquele bichinho que nos empurra para a descoberta de outras realidades. E aqui vamos nós à procura dos mistérios dos parques naturais da Costa Rica, neste momento em Lisboa para amanhã de manhã partir, via Newark, para o nosso destino final.

Francisco 10:35 da tarde | 9 comments |