Cavaleiro Andante

20.7.05

Turista por uma semana


Tendo passado a última semana e picos na Madeira e nas Canárias, em pleno gozo de férias, decidi fazer um exame tão isento e distanciado quanto possível às condições de que disfruta o turista nesses arquipélagos, de modo a compará-las com as proporcionadas nos Açores - claro que os destinos são diferentes, que os segmentos de mercado são distintos e que os anos de experiência não são comparáveis.

Cheguei facilmente a duas conclusões básicas: em primeiro lugar, enquanto os nossos hotéis são camas com um edifício à volta (e, com sorte, um jardinzinho), na Madeira e nas Canárias, os hotéis são encarados como um espaço de lazer, um local de entretenimento, podendo o turista, no limite, nem sair do complexo durante toda a sua estadia; em segundo lugar, tanto nas Canárias como na Madeira, as pessoas não ajuizam socio-culturamente o turista, precisam dele e procuram fazer de tudo para que ele também venha a precisar delas, enquanto que no nosso burgo ainda há quem julgue que o paraíso na terra se basta a si próprio e que o importante é que as mochilas sejam Louis Vitton.
Cavaleiro Andante 4:16 da tarde | 10 comments |

13.7.05

Ar Condicionado

Chegado a Lisboa já perto da uma da manhã de hoje, isto é, muito para lá da hora do meu deitar habitual, não imaginava o que ainda me esperava... Ao abrir a porta do quarto do hotel, fui engolido por uma onda de calor. No termóstato do sistema de ar condicionado, leio 30º como temperatura ambiente. Ligo-o e mantenho a selecção que aparece por defeito: 19º. À espera do resultado, leio os documentos da reunião da manhã, respondo aos comentários do Entramula!, sempre sob os mesmos 30º. Deito-me, levanto-me, desligo o ar condicionado e abro a janela, volto a deitar-me e levantar-me. Impossível aguentar. Telefono para a recepção, eram já três da manhã. Confirmam que algo se passa e propõem-me mudar de quarto, no mesmo andar. Mas a situação repete-se. Desço do 11º para 9º, espero meia hora com o sistema ligado, e, de novo, só ventilação, sem capacidade de refrigeração. Outra vez a recepção e outra vez descida de andar, agora para o 8º, onde noto uma ligeira melhoria e acabo por adormecer, eram já passadas as quatro horas. A primeira coisa que faço, depois das cerca de três horas de sono, é escrever uma reclamação e preparar-me para mudar de hotel. Acabo por ficar, depois da eficiente intervenção do Director, que rapidamente fez aparecer um técnico que solucionou o problema num abrir e fechar de olhos, dizendo que aquilo era tudo muito estranho e que provavelmente apenas se estavam a seleccionar nos equipamentos funções incorrectas... Mas pronto, sou, de novo, um cliente satisfeito. Dentro do possível, naturalmente. Pois ar condicionado não se compara com o ar natural dos meus Açores.

Furnas
Francisco 8:30 da tarde | 4 comments |